segunda-feira, 5 de julho de 2010

O que é um hacker?

No jargão da informática, hacker é um termo digno. O que é um hacker? Não existe tradução. A mais próxima adaptação seria "fuçador" e o verbo to hack, "fuçar". Hacker era o termo usado pelos estudantes do MIT para designar aqueles que "fuçavam" nos computadores da Universidade além dos limites de uso. O hacker difere do Guru, que já sabe tudo. Ele quer é descobrir como mexer com tudo (o contrário do usuário comum, que não tem remorso de usar um micro Pentium para escrever cartas durante o expediente). Não teme vírus de computador. O interessante até seria escrever um, mas não para difundir, só exibir para colegas.

Não dá para definir o que é realmente um hacker. Mas em qualquer sala de computação existem aqueles que vão para trabalhar, aqueles que vão para aprender e aqueles que vão para se divertir. O hacker faz tudo isso e ainda mais alguma coisa, um algo mais que não dá para se definir.

O contato constante com o computador e a vontade de fazer com que ele o obedeça faz surgir o indivíduo "fuçador", que despreza a idéia de freqüentar um curso ou pagar a um profissional para que o ensine a usar um programa. Alguns fazem dessa facilidade com a máquina uma profissão e mudam de ramo. A vontade de explorar este universo eletrônico transforma o indivíduo.

Qualquer pessoa que tenha pelo menos lutado para aprender uma linguagem de computação (PASCAL, C++, ASSEMBLER, etc.) pode entender o que é o prazer de ver um programa funcionando direitinho. A denominação não importa. O que importa é conseguir fazer a coisa funcionar com o mínimo de ajuda possível ou fazê-la funcionar além do que os outros esperariam conseguir, como quando se consegue fazer o programa fazer algo que normalmente não faria. Ou melhor dizendo, dominar o programa.

Tentando definir, os hackers são basicamente feras da informática que adoram aprender como os sistemas funcionam externa e principalmente internamente. Algumas pessoas os definem como desordeiros e pessoas más, mas na verdade os verdadeiros hackers não são anjos, mas não saem por aí invadindo outros sistemas, causando danos ou espionando as informações dos outros. Não há magia no que eles fazem. A maioria das informações podem ser encontradas aqui mesmo na Internet. É só você realmente começar a procurar e se informar!

Resumidamente, segundo o "The New Hacker's Dictionary", hacker é um indivíduo que adora explorar os detalhes de sistemas programáveis e ampliar suas habilidades, em oposição à maioria dos usuários que prefere aprender apenas o mínimo necessário, um indivíduo que desenvolve programas com entusiasmo (e até de forma obsessiva) ou que prefere programar a se preocupar com os aspectos teóricos da programação. Porém alguns consideram o hacker como um indivíduo malicioso e intruso que tenta obter acesso a informações confidenciais através de espionagem. Daí os termos hacker de senha, hacker de rede.

É preferível ser chamado de hacker pelos outros a se intitular um hacker. Os hackers consideram-se uma elite (um privilégio baseado na habilidade), embora recebam com alegria os novos membros. Eles sentem, entretanto, uma certa satisfação egocêntrica em serem identificados como hackers (mas se você tentar ser um deles e não consegue, é considerado falso).

O hacker que se dedica a roubar arquivos ou destruir dados é chamado cracker, esses sim são perigosos. Algumas pessoas definem o cracker como o hacker mau, outras definem como quebradores de segurança. Quebram senhas de provedores, programas shareware, senhas de proteção de jogos e etc. Usam o conhecimento para na maioria das vezes prejudicar e se sair bem.

Newbie é o novato na rede. Ele é "novo no pedaço", e se mete em lugares que não devia, faz perguntas que não deve... Mas isso não seria uma atitude lammer. É uma atitude ingênua. Mas aquele cara que entra num chat com nick de "newbie", é um otário querendo dar uma de ingênuo... Por mais que o cara seja ingênuo, ele não vai entrar na sala com isso estampado na cara.

Lammer é na verdade otário em inglês. Cada um acha uma pessoa otário por um motivo. Mas nesse caso, o cara é otário, porque enche a paciência dos outros, anuncia aos quatro cantos as besteiras que faz, e se acha o máximo. É ou não uma atitude de um otário!? Costuma-se pensar também, que lammer é um hacker iniciante, um aprendiz. Um lammer é julgado lammer, por suas atitudes, e não por seus conhecimentos. E não se deve confundir um lammer com um newbie. Coitado do newbie, ele não sabe que certas perguntas não se faz. Algumas pessoas são tão lammers, que chegam ao ponto de sacanear pessoas com nicks (no caso de chats) de: Iniciante Hacker, Aprendiz de hacker..., e tem a cara-de-pau de dizer: "Odeio aprendizes!!!". Puxa, ninguém nasce sabendo. Lembre-se: "Um lammer é julgado por suas atitudes, não pelo que ele sabe!". O cara pode ser o melhor do pedaço... saber de tudo, e mais um pouco, mas ainda assim, ser um lammer.

Wannabe é o principiante que aprendeu a usar alguns programas prontos para descobrir senhas ou invadir sistemas (receitas de bolo), entrou num provedor de fundo de quintal e já acha que vai conseguir entrar nos computadores da Nasa.

Phreaker tem ótimos conhecimentos de telefonia e consegue inclusive fazer chamadas internacionais sem pagar, o que lhe permite desenvolver seus ataques a partir de um servidor de outro país.

Um hacker não precisa só de programas e dicas. Ele precisa de conhecimento. Ele tem que conhecer o terreno em que ele está pisando, entender o que está fazendo, para fazer direito. É tudo isso que precisa saber.

A ética hacker pode ser definida numa frase: "Veja tudo, aprenda tudo, não toque em NADA."

Sistema Operacional de Internet

Qual é a aplicação que a maioria das pessoas mais usa na maior parte do tempo atualmente? Ao que tudo indica, tudo converge para o browser. É isso que me faz acreditar, desde 2002, quando escrevi um texto tentando prever o futuro da informática para os dez anos seguintes, que o atual DOS, sigla que determina o tipo de sistema operacional que utilizamos hoje como sendo um "sistema operacional de disco", será trocado pelo IOS, o sistema operacional de Internet aonde tudo roda pela rede. A primeira objeção a esta troca talvez seja o fato de a Internet num geral ser mais lenta que o disco, no entanto além de isso não ser para sempre, já que as conexões podem até chegar a ultrapassar a velocidade de acesso aos dados em discos em vários casos, o fato é que a história mostra que as vantagens muitas vezes podem justificar a troca de uma coisa mais rápida por outra mais lenta. Uma prova disso é o Windows, que quando começou a fazer sucesso era indiscutivelmente bem mais lento que o sistema operacional mais utilizado anteriormente, o MS-DOS, no entanto as pessoas nunca mais não abriram mão do uso do mouse.

E quais seriam as vantagens do IOS?

Todas as aplicações do IOS rodarão a partir da Internet e, portanto, não será necessário baixar e instalar nada, ou pelo menos isso será transparente para o usuário, e o upgrade do software será automático, estando sempre atualizado. Ao clicar em "Salvar" os dados também serão gravados no servidor Web. Sei que muitos "experts" vão falar que isso trará problemas de segurança e privacidade, mas este é mais um fator que com o tempo tem se mostrado irrelevante na maioria dos casos, para a maioria das pessoas. Veja por exemplo o Orkut, que tirou as pessoas do anonimato proporcionado pelos "nicknames". Agora todo mundo expõe nome e foto verdadeiros na rede. Também podemos citar os Blogs, Fotologs e os Web-mails, que mantém as mensagens dos usuários em um servidor na Internet. Aos poucos a preocupação com a exposição na rede vai sendo suprimida. A vantagem é que o IOS terá a mesma "cara" em qualquer lugar que for acessado. O usuário terá o mesmo desktop em casa e no trabalho, com todas as suas configurações, favoritos, programas e documentos acessíveis em todos os lugares aonde houver Internet. Por falar nisso é interessante um site que tenho utilizado ultimamente, o http://www.protopage.com , que permite criar uma "página inicial" com anotações e favoritos acessíveis em todos os lugares. O Protopage cria um desktop com janelinhas e inclusive "wallpaper" que pode ser trocado de acordo com o gosto do usuário. Existem vários outros sites parecidos.

A empresa forte que dá demonstrações de estar voltada para seguir este caminho, de aos poucos se passar tudo "para dentro do browser", é a Google, e talvez um dia o browser se torne o próprio sistema operacional. Talvez as máquinas entrem diretamente no browser após o boot, no futuro, e empresas que se mantiverem presas aos velhos métodos dos softwares em pacotes não terão mais vez, não importa o quão mais rápidas e seguras sejam suas aplicações. A Microsoft talvez acabe aceitando a mudança, mas isso não será fácil para ela, dada a base já instalada de softwares nos moldes antigos, dando grandes oportunidades às empresas que tiverem a nova visão.

Marco Mugnatto